Compliance, inclusão e diversidade

Compliance e diversidade

Enquanto profissionais de compliance, também somos responsáveis por ajudar a pensar em ambientes corporativos mais inclusivos e justos. Hoje tirei um pedaço do meu dia pra estudar sobre história negra, racismo estrutural no Brasil e suas consequências políticas, econômicas e sociais.

 

Queria compartilhar um pouco do que aprendi, especialmente do que podemos fazer na seara corporativa. Se puder, invista um tempo na leitura:

 

– Um levantamento realizado pelo Instituto Ethos, em 2016, que pesquisou sobre o Perfil  Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas do Brasil apontou que, embora a população negra represente a maioria dos habitantes, está sub-representada nos cargos de alta hierarquia, com participação abaixo de 10%. Fonte: Instituto Ethos.

 

– Segundo Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos, a evolução de medidas que ampliem a representatividade dos negros no mercado de trabalho caminha a passos lentos no Brasil. “Se a melhoria continuar nesse ritmo, só teremos equidade demográfica daqui a 100 anos”. Fonte: G1.

 

– De acordo com estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal dos negros no Brasil tem dez anos de atraso comparado ao dos brancos. Fonte: Nações Unidas.

 

– Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) em 2016, os negros apresentam taxa de empreendedorismo superior à dos brancos: 38,5% no primeiro grupo e 31,6% no segundo. No entanto, 34,8% dos empreendedores brancos recebiam de três a seis salários mínimos, frente a 21,2% dos negros. Fonte: IBQP.

 

– Em 2019 o IBGE fez um estudo que evidenciou que a população negra no Brasil tem os piores indicadores no que tange à estrutura econômica, mercado de trabalho, padrão de vida, distribuição de renda e educação. Fonte: UOL.

 

– Segundo a professora de sociologia da USP, Márcia Lima, há outras possibilidades de observar as desigualdades raciais, como a violência racial (em especial a brutalidade policial com os jovens negros e os estereótipos em torno das mulheres negras, que oscilam entre o confinamento no serviço doméstico e sua sexualização em torno da figura da “mulata”). Fonte: Oxfam Brasil.

 

O QUE FAZER?

 

– Melhoria dos processos de recrutamento e novas políticas de contratação

 

– Treinamentos para a quebra do “viés inconsciente” (pré-julgamentos com base em cor da pele)

 

– Redução da desigualdade salarial

 

– Metas para ampliar a presença de minorias em cargos mais altos

 

– Investimento em qualificação das minorias

 

– Sustentar exemplos fortes no time executivo

 

– Métricas e resultados: aferir o sucesso de suas iniciativas

 

Precisamos agir além de manifestar nosso apoio às causas sociais. As mudanças podem começar nas corporações e na nossa reflexão diante das atitudes já incorporadas à cultura.